Ela era bissexual e eu nunca entendia por que ela preferia muito mais os homens. Se ela tinha a possibilidade de ficar muito mais com mulheres, por que ficar com homens, esses seres tão repugnantes que somos? Ela me respondia sempre que como eu nunca fiquei com homens, então não poderia fazer julgamentos sobre essa questão. E eu não tinha como fugir dessa verdade dela, então o máximo que eu pude fazer foi perguntar, pedir uma explicação minimamente plauível sobre o assunto. Porém, ela sempre se esquivava, dizia que caso ela me revelasse esse segredo ela temia que eu começasse a querer ficar com homens, mas a verdade é que ela temia mesmo era que eu não a quisesse mais. Entretanto, depois de adulá-la bastante eu consegui convencê-la de me explicar o inexplicável.

É bem simples: as mulheres são complicadas. Para conseguir ficar com alguma, por exemplo, é necessário bajular bastante, massageando o ego dela insessantemente, de preferência, até ela ver que você já está quase desistindo, enquanto ela se faz de sonsa como se não tivesse o controle da situação, como se ela não tivesse fazendo aquilo propositalmente. Fazem-se de difícil até a última ponta e, pra agravar, se você perguntar se ela está se fazendo de difícil elas dissimulam com vontade e dizem que o problema é com a gente e com a nossa insegurança, de uma forma que não tem como você não achar que não é verdade.
E quando acaba? É um Idílio. Tentar saber por que acabou é sempre em vão. Uma palavrinha ao menos? Feiúra? Falta de tesão? Pobreza? Ignorância? Nada! Ou melhor, é uma coisa só: frescura. Não adianta, ela vai tentar se esquivar sempre tentando explicações dizendo que não é tão simples assim, que sentimentos são complexos e bababá-bababá. Mas nunca, jamais, vão admitir que é pura frescura, principalmente essas pós-modernas que querem se emancipar, que nunca vão querer assumir publicamente que são do tipo "mulherzinha".
Mesmo com todos esses argumentos ditos por uma mulher experiênte eu não fiquei convencido. Pra falar a verdade eu acho que é tudo mentira dela. As mulheres, nem de longe devem ser assim de perto. E é um absurdo pensar dessa forma. Eu acho que a meiguice de todas elas é sincera, não uma arma. E elas não se fazem de frágeis astutamente, a fragilidade é perceptível quando elas mostram, não pode ser apenas algo para conseguir as coisas da gente de uma forma mais fácil...
Enfim, de uma forma de outra eu ainda continuo preferindo as mulheres: pra transar, pra ficar, pra amar, pra conversar, pra namorar, pra odiar. E, por via das dúvidas, fico também com a dica que Nietzsche nos deixou: quando for encontrar uma mulher, não esqueça de levar um chicote.